sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

INTEGRAÇÃO LAVOURA E PECUÁRIA É ALTERNATIVA AO RIO JACARÉ

*Por Luciano Soares
Um encontro realizado pelo GRAMDS (Grupo Ambiental de Desenvolvimento Sustentável), sob a coordenação do escritório local da EMATER, reuniu na quinta-feira, 9 de fevereiro, na comunidade de Ouro Fino, município de Oliveira, mais de 30 produtores rurais, com a participação do engenheiro agrônomo Dimas Cardoso, mestre, doutor e um dos mais conceituados especialistas do Brasil em manejo de solos e cultura de milho. O objetivo era apresentar o projeto piloto realizado numa área de dois hectares, dentro de um sistema que integra lavoura e pecuária, usando o plantio de milho consorciado com braquiária, como uma alternativa de conciliar melhoria de pastagens e descompactação de solos, facilitando a infiltração de chuvas de forma a recarregar as águas subterrâneas em seus lençóis freáticos.
O projeto, chamado de Unidade Demonstrativa de Ouro Fino, teve início em setembro do ano passado, quando foi feita a análise do solo. Por meio dela, constatou-se alto índice de acidez e baixos indicadores de fósforo, nitrogênio, potássio, cálcio, magnésio e micro nutrientes, como geralmente ocorre em quase todas as terras na cabeceira do Rio Jacaré. Além desta condição química desfavorável, também a situação física do terreno deixava a desejar por sua declividade, que facilitou a perda de calcário pela ação de chuvas, e por apresentar cascalhos e até pedras que dificultaram a utilização da técnica de plantio direto. Após a análise, o solo foi preparado e realizado ali dois experimentos: o plantio direto e o plantio em solo subsolado. Em ambos os casos, foi evitada a aração do terreno, que poderia expor a terra e levar sedimentos aos leitos dos cursos d’água, um problema recorrente naquela região.
O encontro do dia 9 serviu para apresentar a lavoura e fazer a análise de todo o processo. Dimas Cardoso observou a desigualdade na qualidade do milho nos dois hectares da área plantada, constatando pés com ótimas espigas, pés com espigas de grãos mal granados e até pés em condições precárias. Entre essas variações, o engenheiro agrônomo disse que o objetivo de formação de pasto, com o capim semeado junto ao milho, foi plenamente alcançado, ficando um bom plantio de braquiária onde antes havia apenas um ralo capim de campo. “Isso aqui não é apenas o plantio de uma lavoura, é uma filosofia de vida. Essa terra a gente quer deixar para os nossos filhos. Para isso, é preciso fazer uma agricultura saudável, salvando o meio ambiente”, disse Dimas.
O encontro contou ainda com a participaram de dirigentes das empresas apoiadoras, representantes da CAPOL (Cooperativa dos Produtores Rurais de Oliveira) e diretores da Associação dos produtores rurais de Ouro Fino .Também  presente, o Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Eduardo Palhares, que falou do interesse da Prefeitura de Oliveira pela iniciativa do GRAMDS, sendo apoiado pelo Presidente da Câmara, vereador Ederson de Souza da Silveira, e pelos vereadores Amanda Maria Vargas e José Renato de Oliveira Parabéns.
Dimas Cardoso arrancou alguns pés de milhos e mostrou características das raízes e colorações das folhas que denunciavam as deficiências físicas e químicas do solo. E partir daí fez recomendações indispensáveis para produtores daquela região de primeiras nascentes do Rio Jacaré.
A primeira recomendação é analisar o solo com amostras escavadas de quarenta a cinquenta centímetros de profundidade, ao invés dos usuais vinte centímetros. A segunda é fazer a correção muitos meses antes do plantio, utilizando a quantidade indicada de calcário, acrescentado da metade de gesso, produto segundo ele essencial para o aprofundamento de nutrientes e de raízes. A terceira é incorporar o calcário e o gesso ao solo o mais profundamente possível (de trinta a cinquenta centímetros) usando-se um subsolador ou um escarificador, sem revolver, sem machucar, sem desestruturar a terra, como fazem os plantadores do agronegócio e como ainda não faz a maioria dos agricultores de Oliveira.
A quarta recomendação é comprar sementes e fertilizantes de qualidade e nas quantidades tecnicamente recomendadas. A quinta é um desafio cultural de usos e costumes: aposentar o arado e a grade, passando a utilizar equipamentos e técnicas de plantio direto como “filosofia de vida produtiva” (o plantio direto já foi utilizado na Unidade Demonstrativa). Aqui, Dimas lembra que o conceito de se usar o arado foi importado da Europa, onde os agricultores preparavam as terras de plantio quando parava de nevar, o que exigia que eles revolvessem o solo para aquece-lo, enquanto no Brasil o clima tropical nos dispensa desta necessidade. A sexta recomendação também é um desafio cultural: nunca deixar o solo descoberto em áreas de agricultura e nunca deixar o capim ralo e muito baixo em áreas de pastagens. 

Antes desta avaliação de resultados, os produtores rurais de Ouro Fino haviam sido mobilizados para um dia de campo sobre integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF) em Medeiros e para cinco outras atividades de capacitação em gestão de Águas, plantio de milho e regulagem de equipamentos. Todos estes encontros foram organizados pelo engenheiro agrônomo Evandro Lelis, dirigente do escritório da Emater em Oliveira, com apoio financeiro de parceiros da ong GRAMDS, com destaque para a intermediação e o empenho dos engenheiros agrônomos oliveirenses José Benevides Romano e Paulo Afonso Romano, que também mobilizaram as empresas Riber, KWS, AP Agrícola e Comape.
Acompanhe a cobertura fotográfica do evento:

Fotos: Luciano Soares.
 Terreno antes do plantio.

 Lavoura experimental do projeto.

 Dimas dá explicações técnicas do plantio.

 Produtores durante o encontro.

Teoria na prática.

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