INTEGRAÇÃO LAVOURA E PECUÁRIA É
ALTERNATIVA AO RIO JACARÉ
*Por
Luciano Soares
Um
encontro realizado pelo GRAMDS (Grupo Ambiental de Desenvolvimento
Sustentável), sob a coordenação do escritório local da EMATER, reuniu na
quinta-feira, 9 de fevereiro, na comunidade de Ouro Fino, município de
Oliveira, mais de 30 produtores rurais, com a participação do engenheiro
agrônomo Dimas Cardoso, mestre, doutor e um dos mais conceituados especialistas
do Brasil em manejo de solos e cultura de milho. O objetivo era apresentar o
projeto piloto realizado numa área de dois hectares, dentro de um sistema que
integra lavoura e pecuária, usando o plantio de milho consorciado com
braquiária, como uma alternativa de conciliar melhoria de pastagens e descompactação
de solos, facilitando a infiltração de chuvas de forma a recarregar as águas subterrâneas
em seus lençóis freáticos.
O
projeto, chamado de Unidade Demonstrativa de Ouro Fino, teve início em setembro
do ano passado, quando foi feita a análise do solo. Por meio dela, constatou-se
alto índice de acidez e baixos indicadores de fósforo, nitrogênio, potássio, cálcio,
magnésio e micro nutrientes, como geralmente ocorre em quase todas as terras na
cabeceira do Rio Jacaré. Além desta condição química desfavorável, também a
situação física do terreno deixava a desejar por sua declividade, que facilitou
a perda de calcário pela ação de chuvas, e por apresentar cascalhos e até
pedras que dificultaram a utilização da técnica de plantio direto. Após a
análise, o solo foi preparado e realizado ali dois experimentos: o plantio
direto e o plantio em solo subsolado. Em ambos os casos, foi evitada a aração
do terreno, que poderia expor a terra e levar sedimentos aos leitos dos cursos
d’água, um problema recorrente naquela região.
O
encontro do dia 9 serviu para apresentar a lavoura e fazer a análise de todo o
processo. Dimas Cardoso observou a desigualdade na qualidade do milho nos dois
hectares da área plantada, constatando pés com ótimas espigas, pés com espigas
de grãos mal granados e até pés em condições precárias. Entre essas variações,
o engenheiro agrônomo disse que o objetivo de formação de pasto, com o capim
semeado junto ao milho, foi plenamente alcançado, ficando um bom plantio de
braquiária onde antes havia apenas um ralo capim de campo. “Isso aqui não é
apenas o plantio de uma lavoura, é uma filosofia de vida. Essa terra a gente
quer deixar para os nossos filhos. Para isso, é preciso fazer uma agricultura
saudável, salvando o meio ambiente”, disse Dimas.
O encontro contou ainda
com a participaram de dirigentes das empresas apoiadoras, representantes da
CAPOL (Cooperativa dos Produtores Rurais de Oliveira) e diretores da Associação
dos produtores rurais de Ouro Fino .Também
presente, o Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Eduardo
Palhares, que falou do interesse da Prefeitura de Oliveira pela iniciativa do
GRAMDS, sendo apoiado pelo Presidente da Câmara, vereador Ederson de Souza da
Silveira, e pelos vereadores Amanda Maria Vargas e José Renato de Oliveira Parabéns.
Dimas Cardoso arrancou
alguns pés de milhos e mostrou características das raízes e colorações das
folhas que denunciavam as deficiências físicas e químicas do solo. E partir daí
fez recomendações indispensáveis para produtores daquela região de primeiras
nascentes do Rio Jacaré.
A primeira recomendação
é analisar o solo com amostras escavadas de quarenta a cinquenta centímetros de
profundidade, ao invés dos usuais vinte centímetros. A segunda é fazer a
correção muitos meses antes do plantio, utilizando a quantidade indicada de
calcário, acrescentado da metade de gesso, produto segundo ele essencial para o
aprofundamento de nutrientes e de raízes. A terceira é incorporar o calcário e
o gesso ao solo o mais profundamente possível (de trinta a cinquenta
centímetros) usando-se um subsolador ou um escarificador, sem revolver, sem
machucar, sem desestruturar a terra, como fazem os plantadores do agronegócio e
como ainda não faz a maioria dos agricultores de Oliveira.
A quarta recomendação é
comprar sementes e fertilizantes de qualidade e nas quantidades tecnicamente
recomendadas. A quinta é um desafio cultural de usos e costumes: aposentar o
arado e a grade, passando a utilizar equipamentos e técnicas de plantio direto
como “filosofia de vida produtiva” (o plantio direto já foi utilizado na
Unidade Demonstrativa). Aqui, Dimas lembra que o conceito de se usar o arado
foi importado da Europa, onde os agricultores preparavam as terras de plantio
quando parava de nevar, o que exigia que eles revolvessem o solo para
aquece-lo, enquanto no Brasil o clima tropical nos dispensa desta necessidade.
A sexta recomendação também é um desafio cultural: nunca deixar o solo
descoberto em áreas de agricultura e nunca deixar o capim ralo e muito baixo em
áreas de pastagens.
Antes desta avaliação
de resultados, os produtores rurais de Ouro Fino haviam sido mobilizados para
um dia de campo sobre integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF) em
Medeiros e para cinco outras atividades de capacitação em gestão de Águas,
plantio de milho e regulagem de equipamentos. Todos estes encontros foram
organizados pelo engenheiro agrônomo Evandro Lelis, dirigente do escritório da
Emater em Oliveira, com apoio financeiro de parceiros da ong GRAMDS, com
destaque para a intermediação e o empenho dos engenheiros agrônomos
oliveirenses José Benevides Romano e Paulo Afonso Romano, que também
mobilizaram as empresas Riber, KWS, AP Agrícola e Comape.




Nenhum comentário:
Postar um comentário