sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

PROPOSTA DE PROJETOS PARA REVITALIZAÇÃO DOS CÓRREGOS LAVRINHA/BATALHA E TATU, FORMADORES DO RIO JACARÉ

                        OBJETIVOS PRINCIPAIS DESTA PROPOSTA

*Por Demóstenes Romano Filho
            Objetivo geral: aumentar Águas do Rio Jacaré ao descompactar solos e aproveitar Águas de Chuvas para  melhorar recargas de lençóis freáticos e de aquíferos das bacias dos Córregos Lavrinha/Batalha e Tatu, formadores do Jacaré, na região do Ouro Fino, no distrito de Morro do Ferro, Município de Oliveira, Minas Gerais, Brasil.

            Objetivo técnico: introduzir práticas de aproveitamento de chuvas em recargas de lençóis freáticos e aquíferos por meio de adequados manejos de solos na região de Ouro Fino, utilizando-se barraginhas, subsolagens, plantio direto, cacimbas, terraceamentos, curvas de nível, melhoria de pastagens, cobertura vegetal e tudo mais que viabilize a meta ideal de evitar que Águas de chuvas se percam em enxurradas.

            Objetivo econômico e social: contribuir para o aumento de receitas financeiras dos produtores rurais incluídos nesta proposta e, consequentemente, melhorar as condições de interesse das famílias por uma atividade sustentável, atraindo jovens e evitando o crescente êxodo rural para áreas urbanas.

            Objetivo ambiental: compatibilizar interesses ecológicos, econômicos e sociais na gestão de Águas e na prática de uma agricultura sustentável e de uma pecuária não predatória.

            Objetivo administrativo: conceber, planejar e organizar as atividades, os procedimentos operacionais, os recursos necessários e os resultados esperados de forma a facilitar a participação de financiadores, patrocinadores, doadores e outros protagonistas apoiadores desta Proposta.

            Objetivo institucional: gerar referências para outras regiões de Oliveira e até para outros Municípios de Minas Gerais, do Brasil e de outros Países.

            Objetivo operacional: ter esta proposta como base conceitual, informativa e balizadora para a elaboração de Projetos específicos em cada propriedade rural ou em conjuntos de algumas delas, bem como para a compra de calcário, gesso, fertilizantes, sementes, equipamentos e demais itens necessários.
           

INTRODUÇÃO A UMA IDÉIA INOVADORA

                        Há mais de dez anos, no município de Extrema (MG), a Agência Nacional de Águas (ANA) começou a praticar um conceito revolucionário em gestão de bacias hidrográficas: o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), um sistema de reconhecimento ao esforço de proprietários rurais empenhados em preservar nascentes, matas ciliares e áreas de recargas de lençóis freáticos e aquíferos. Atualmente, já são mais de 40 os municípios apoiados pela ANA na utilização deste jeito de ver, sentir e cuidar de Águas.

                        Sustentada nesta ideia inovadora, por iniciativa da ong GRAMDS (Grupo Ambiental de Desenvolvimento Sustentável), com apoio de instituições públicas e de organizações não governamentais, de pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas, foi lançada, dia 19/3/2016, a Campanha “Todos pelo Rio Jacaré”, um movimento de mobilização de oliveirenses para Oliveira também se integrar à rede de Municípios beneficiados pelo Programa Produtor de Água, da ANA.

                        Um passo concreto rumo a este objetivo foi dado na região rural de Ouro Fino, onde, por iniciativa da ong GRAMDS e coordenação do escritório local da Emater, foi implantada uma Unidade Demonstrativa do sistema de integração lavoura e pecuária com o plantio de dois primeiros hectares de milho e braquiária, contando com apoio técnico e doação de calcário, sementes, fertilizantes e outros insumos das empresas Riber KWS, Ap Agrícola e Comape e dos engenheiros agrônomos oliveirenses Paulo Afonso Romano e José Benevides Romano.

O RIO DA MINHA TERRA

                        No seu poema “Guardador de Rebanhos”, Fernando Pessoa disse que o Rio Tejo, orgulho dos portugueses como suporte de vitórias navais e descobrimentos, “não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.  Como o poeta, pensando globalmente e agindo localmente, uma das motivações dos articuladores da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré” é pontuar que os rios Amazonas, São Francisco, Grande, Doce, Paraná e outros, também orgulhos nossos, não são mais importantes ao povo de Oliveira do que o Rio Jacaré, porque as Águas do Rio Jacaré é que correm ao alcance cotidiano de nossa sede, de  nosso  corpo, de nosso coração, de nossa consciência cidadã, de nossa responsabilidade social, de nosso comprometimento cósmico.

                        Esta não é só uma visão poética sobre o Rio Jacaré. Em próximas crises hídricas, serão dele as Águas que abastecerão Oliveira, a menos que queiramos continuar como predadores, vampirizando lençóis freáticos e aquíferos com a abertura de custosos e pouco ecológicos poços artesianos.

                        Pelo que fizermos ou deixarmos de fazer, agora, com urgência, nas áreas de recargas das Águas Subterrâneas das sub-bacias do Rio Jacaré seremos louvados ou seremos execrados pelas futuras gerações. A ESCOLHA É NOSSA.

                        Quem quiser fazer sua parte, por menor que seja, um bom caminho é participar da campanha “Todos pelo Rio Jacaré”, contribuindo para viabilizar o Programa Produtor de Água em Oliveira.                    

POR QUE O JACARÉ TEM POUCA ÁGUA E MUITA AREIA?

                        As primeiras Águas que abastecem o Rio Jacaré nascem no município de Oliveira, perto da capela Santo Antônio da comunidade de Ouro Fino, quase na divisa de Oliveira com Resende Costa e São Tiago, formando o córrego Tatu. Na outra vertente, do lado da divisa com Passa Tempo, nasce o córrego Lavrinha, às vezes chamado de Batalha de Cima no seu início e de Batalha de Baixo no seu final. O encontro deles, na região conhecida como Espigão, forma o Rio Jacaré, que desce 118 quilômetros, até desaguar no Rio Grande, depois de passar também pelos municípios de São Francisco de Paula, Santana do Jacaré, Campo Belo e Cana Verde.

                        Os solos nas sub-bacias dos primeiros quilômetros do Rio Jacaré são predominantemente arenosos, principalmente da região de Ouro Fino até à região da Usina. Por séculos e séculos, grande parte da cobertura vegetal desta vasta área era formada por um pouco de capim gordura ou meloso e muitos nativos capins de campo (capim carneiro, capim-de-bode, capim mumbeca, etc.) e arbustos nativos e rústicos, como gabirobas, araçás, fruta de lobo, candeinha, anil, mata-pasto, barbatimão, sabugueiro e outros.

                        Com pouco valor nutritivo para bovinos e equinos, baixa produtividade e pouca palatabilidade, esta vegetação era queimada, anualmente ou de dois em dois anos, quando surgiam os primeiros sinais de chuvas. Logo que cresciam os brotos, o gado era colocado em quantidade, para aproveitar a fartura, antes de o capim outra vez amadurecer e endurecer.

                        E aí vinham, ao mesmo tempo, a primeira e a segunda consequências para o Rio Jacaré. Na primeira, provocando assoreamentos, os pés dos bovinos pisavam o solo arenoso ainda pouco coberto e deixavam areia e outras partículas soltas, fáceis de serem levadas por ventos e por Águas de chuvas às partes mais baixas, nos leitos de córregos afluentes do Rio Jacaré, ou mesmo nas várzeas e no leito do próprio Rio Jacaré. Na segunda consequência, além de tornar mais frágil a superfície dos solos, os pés dos bovinos, sem ter volume de capins como amortecedores, quase “air-bags”, funcionavam, anos e anos, séculos e séculos, como soquetes, como compactadores, compactando e diminuindo a permeabilidade dos solos para penetração das Águas de chuvas aos lençóis freáticos e aquíferos, que formam as Águas Subterrâneas, reservatórios naturais do planeta Terra, reservas da Natureza, reservas das Águas superficiais.

Estas “vasilhas” cheias, nos subsolos, é que transbordam, como descargas, em forma de nascentes, minas, fontes, abastecendo córregos e rios o ano inteiro, aos poucos, intermitentemente e não em enxurradas, que imediatamente vão para os córregos, transitoriamente enchem os rios e acabam nos mares, elevando o nível das Águas oceânicas (isso explica porque nem altos volumes de chuvas asseguram sustentabilidade de reservatórios urbanos). 

                        A bem da verdade, também vale lembrar que qualquer solo agredido em queimadas ou ressecado pela exposição ao sol, por estar desprotegido de cobertura, tende a ficar compactado por ação da própria Natureza, independente de pisoteio de animais.

                        Atualmente, muitos capins de campo foram trocados por diversos tipos do capim braquiária, mas o manejo de mantê-lo ralo pelo excesso de gado e a baixa disponibilidade financeira de muitos proprietários rurais para serviços de descompactação e de plantio direto continuam agravando as inconveniências do assoreamento e da compactação, reduzindo as taxas de permeabilidade dos solos, condenando o Rio Jacaré a ter pouca Água e muita areia.

                        Neste contexto, é oportuno e relevante explicitar e ressaltar que os articuladores da campanha “Todos pelo Rio Jacaré” em Oliveira são firmes defensores dos proprietários rurais interessados em práticas de boa sustentabilidade ambiental, principalmente na adequada gestão de Águas, com foco em soluções e não em problemas. E sem demonizar a atividade pecuária e menos ainda denegrir a memória de ancestrais que praticaram equívocos de gestão ambiental, anos e anos, séculos e séculos, por desconhecimento das consequências de seus atos.

                        Se hoje nós temos uma melhor visão sobre o que fazer e o que não fazer, façamos a revitalização do Rio Jacaré em reparação ao passado e pela construção de uma realidade que não nos condene no julgamento de futuras gerações.
           
PRODUTOR DE ÁGUA: A ESPERANÇA DE NOVOS TEMPOS

                        Os articuladores da campanha “Todos pelo Rio Jacaré”, ancorados na ong (organização não governamental) GRAMDS (Grupo Ambiental de Desenvolvimento Sustentável), partem do princípio de que a revitalização do Rio Jacaré depende fundamentalmente dos produtores rurais, mas que eles não têm recursos financeiros, tecnologias e nem obrigação legal para desenvolverem as ações necessárias a uma mudança de jeito de ver, sentir e cuidar de gestão ambiental, de tal forma que Ecologia se compatibilize com Economia, especialmente nos cuidados com Águas indispensáveis ao consumo de populações urbanas.

                        A primeira providência concreta foi trazer de Brasília a Oliveira, dia 7 de Setembro de 2015, o coordenador de Projetos Indutores da ANA (Agência Nacional de Águas), Devanir Garcia dos Santos, um dos idealizadores e dirigentes do Programa Produtor de Água, uma iniciativa pioneira na aplicação do conceito de Pagamentos por Serviços Ambientais     (nesta visita, ele fez palestra em Morro do Ferro, esteve na ponte do córrego Lavrinha e viu de perto o Rio Jacaré, no Espigão, onde a BR494 o atravessa).

                        A ideia é que o proprietário rural que se tornar um Produtor de Água seja remunerado em dinheiro ou apoiado em horas de tratores ou retroescavadeiras ou pá carregadeiras, em custos de subsolagens de solos, em plantio direto, em calcário e gesso, em fertilizantes, em sementes, em tecnologias de manejo de pastagens, em readequação de estradas vicinais, em construção de barraginhas ou em melhoria de gestão.

                        Outro passo indispensável foi dado com a constituição do FUNDO MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, por iniciativa do GRAMDS e parceria entre a Prefeitura de Oliveira e a Câmara de Vereadores. Agora a ong GRAMDS vai ampliar e consolidar a campanha “Todos pelo Rio Jacaré” para mobilizar o máximo possível de oliveirenses na simbologia de vestir a camiseta “Eu defendo o Rio Jacaré”, vendida para gerar recursos financeiros, a serem revertidos, direta ou indiretamente, em serviços do Programa Produtor de Água na região do Ouro Fino.
                                  
                        E estes recursos e outros a serem trazidos do Governo Federal, do Governo Estadual (incluindo aportes direcionados pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário) e de instituições privadas, nacionais e internacionais, serão geridos, conforme o caso, pelo GRAMDS ou pela Associação dos Agricultores Familiares da Comunidade de Ouro Fino e Região ou pelo CODEMA (Conselho Municipal de Desenvolvimento do Meio Ambiente de Oliveira), passando ou não passando pelo Fundo Municipal do Meio Ambiente.

OBJETIVOS DA CAMPANHA “TODOS PELO RIO JACARÉ”

                        1 – OBJETIVO BÁSICO DA CAMPANHA
                        Desenvolver uma histórica campanha de mobilização de Oliveira para ações concretas de sustentabilidade do Rio Jacaré.
                        2 - OBJETIVOS OPERACIONAIS DA CAMPANHA
                        2.1 – Transpor a fase da postura de apenas denúncias, manifestações platônicas e espera de um “salvador” do Rio Jacaré para iniciar um tempo de ações transformadoras, coerentes, consistentes e consequentes em cuidados efetivos;
                        2.2 – Dar visibilidade e operacionalidade ao Fundo Municipal de Meio Ambiente de Oliveira;
                        2.3 – Explicitar e aplicar o conceito de taxa de permeabilidade de solos como base para aproveitar as Águas de chuvas nas recargas de lençóis freáticos e aquíferos que garantam a saúde e perenidade de nascentes e de córregos que abasteçam o Rio Jacaré o ano todo;
                        2.4 – Explicitar e aplicar o conceito de que todos os moradores de áreas urbanas de Oliveira também devem participar da gestão do Rio Jacaré por serem beneficiários e dependentes de suas Águas e da vitalidade de suas sub-bacias;
                        2.5 – Melhorar o nível de democratização da gestão de Águas de Oliveira, articulando e conjugando esforços e recursos de pessoas físicas e pessoas jurídicas, de instituições públicas e instituições privadas;
                        2.6 – Dar visibilidade e operacionalidade ao Programa Produtor de Água (iniciativa da ANA – Agência Nacional de Águas) em Oliveira, começando por sua implantação nas sub-bacias dos córregos Lavrinha/Batalha e Tatu, na cabeceira do Rio Jacaré, na região do Ouro Fino;
                        2.7 – Mobilizar, articular e descruzar os braços do máximo possível de pessoas para que elas vistam a camisa da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré”;
                        2.8 – Reforçar conceitos e metodologias de preservação do Rio Jacaré entre crianças, adolescentes e jovens;
                        2.11 – Melhorar a visibilidade e interatividade da ong GRAMDS (Grupo Ambiental de Desenvolvimento Sustentável) com os oliveirenses.
                     2.12 – Contribuir para maior sintonia e interatividade entre oliveirenses e SAAE
                       
METODOLOGIA CUSTOMIZADA PARA GERAR REFERÊNCIAS

                        Com adesão voluntária de proprietários rurais, o Programa Produtor de Água prevê o apoio técnico e financeiro à execução de ações de conservação da Água e do solo, como, por exemplo, a construção de terraços e bacias de infiltração, a adoção de plantio direto, a readequação de estradas vicinais, a recuperação e proteção de nascentes, o reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, a melhoria de pastagens, o saneamento ambiental, a subsolagem de solos compactados, a construção de barraginhas e cacimbas e o que mais for necessário para aumentar taxas de permeabilidade dos solos, para aproveitar  Águas de Chuvas e para direcionar estas Águas aos lençóis freáticos e aquíferos, cuidando das áreas de recargas das Águas Subterrâneas.

                        Na maioria dos projetos apoiados pela ANA, a concessão dos incentivos financeiros ocorre somente após a implantação, parcial ou total, das ações e práticas conservacionistas previamente contratadas e os valores a serem pagos são calculados de acordo com os resultados: abatimento da erosão e da sedimentação, redução da poluição difusa e aumento da infiltração de Água no solo.

                        Em Oliveira, a intenção e desafio de dirigentes da ong GRAMDS e outros articuladores da Campanha “Todos pelo Jacaré” é utilizar uma metodologia que permita o início dos trabalhos na região do Ouro Fino imediatamente, mesmo que ainda sejam poucos os recursos financeiros acumulados no Fundo Municipal do Meio Ambiente. A antecipação é uma estratégia para gerar referências, implantar um projeto piloto, dar visibilidade ao Programa, facilitar a captação de mais recursos, ter mais apoios institucionais, construir um campo de demonstração, expandir e consolidar mais participações da população urbana.

                        Nesta estratégia, os serviços foram iniciados em uma das propriedades selecionadas entre os produtores já interessados no Programa: são dois hectares de campo muito degradado, onde foi implantada uma Unidade Demonstrativa do sistema ILPF (integração lavoura, pecuária e floresta), com plantio consorciado de milho e braquiária. O proprietário da área, Antônio dos Santos Rezende (Antônio do Hélio), assumiu parte dos custos de máquinas e implementos, para preparação do solo e plantio direto, enquanto representantes da ong GRAMDS e da EMATER conseguiram para ele doações de pessoas e empresas privadas, calcário, fertilizantes, sementes e demais insumos, além de assistência técnica. As principais empresas doadoras foram Riber, KWS, AP Agrícola e Comape.

                        Ao mesmo tempo que se desenvolveu o projeto de implantação desta primeira Unidade Demonstrativa,  piloto, embrião, indez, experimental, na 1ª área, representantes do GRAMDS, da Emater e da administração municipal, juntamente com dirigentes e voluntários da Associação de produtores do Ouro Fino, pesquisaram os interessados no Programa, levantando a área total das sub-bacias do córregos  Lavrinha/Batalha e Tatu, dimensionando serviços e coletando  dados necessários à elaboração de projetos específicos para algumas propriedades, consideradas prioritárias aos objetivos da proposta.

COMO PARTICIPAR DA CAMPANHA “TODOS PELO RIO JACARÉ”

                        Desde as primeiras formulações da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré” ficou definido que ela é um movimento articulador de pessoas físicas e pessoas jurídicas, governamentais e não governamentais, reunindo o máximo possível de participantes pelo objetivo de revitalização do Rio Jacaré, especialmente no esforço de incluir Oliveira na rede de mais de 40 Municípios no Programa Produtor de Água da Agência Nacional de Águas (ANA).

                        Assim, quem quiser participar, desenvolvendo atividades, mobilizando pessoas, comparecendo a reuniões, apoiando a venda de camisetas, elaborando projetos ou sugerindo ações, um dos caminhos é acessar pelo facebook o GRUPO ARTICULADOR TODOS PELO JACARÉ.                 
Ao integrar este Grupo Articulador as movimentações da Campanha estarão ao alcance de todos os interessados. Outro jeito de se informar é entrar em contato pessoal ou telefônico com alguns dos participantes pioneiros, aqui relacionados por ordem alfabética:  Andrea Brynner (37-98406-4172), Carla Resende Sambuc (37-98831-8805), Demóstenes Romano (37-99832-5678), Denise Bonani (37-99909-1196), Ildeano Silva (37-99954-5908), Janice Alexsandra (37-99953-4356), Jucélia Carolina da Silva (37-99908-8840), Luciano Soares (37-99805-2526), Luís Henrique Laranjo (37-99937-7844), Marilene Luz (37-99931-7510) ou Sarah Saraiva (37-99999-9459).

                        As camisetas podem ser compradas nas lojas Flap ou Revelações e na lojinha da Casa de Cultura de Oliveira ou encomendadas, via facebook, ao GRUPO ARTICULADOR TODOS PELO RIO JACARÉ.

                        Outra forma de contribuir no avanço e sustentabilidade da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré” é organizar, ajudar na organização ou simplesmente participar de atividades mobilizadoras, como estas:

1 – Caminhada de crianças e adolescentes dentro do Rio Jacaré, um pouco acima da ponte na BR-494, no local chamado Espigão (ao fundo do pesque-pague Cardume), onde os córregos Lavrinha/Batalha e Tatu formam o Jacaré, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré”;
2 – Piqueniques de famílias nas proximidades da Ponte do Espigão ou da ponte do Córrego Lavrinha ou da Capela do Ouro Fino, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;
3 – Cavalgada do Parque de Exposição ou da Lagoa do Catiguá ou de Morro do Ferro à Capela do Ouro Fino ou à ponte do Espigão ou ao pesque-pague Cardume, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;
4 – Passeio de bicicleta da área urbana de Oliveira ou do trevo BR-381/BR-494 ou de Morro do Ferro à Capela do Ouro Fino ou à ponte do Espigão, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha:
5 – Carreata de Jipes e de outros veículos do centro de Oliveira à ponte do Espigão ou à ponte do Córrego Lavrinha ou à Capela do Ouro Fino, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;                         
6 – Maratonas de Oliveira e de Morro do Ferro à ponte do Espigão, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;                          
7 – Provas de atletismo na Região de Ouro Fino, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;                                    
8 - Provas de atletismo dentro d’Água, um pouco acima da ponte do Espigão, perto do Cardume, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;                                                                                  
9 – Wod dentro d’Água, perto da ponte do Espigão;                                     
10 – Caminhadas e provas de atletismo com crianças e adolescentes, todos vestindo a camiseta da Campanha;                                                
11 - Trecking para visitas a nascentes dos Córregos Batalha/Lavrinha e Tatu, com todos os participantes vestindo camisetas da Campanha;                                                                                                             
12 – Competições infantis dentro d’Água perto da ponte do Espigão, no fundo do pesque-pague Cardume, com todos vestindo camisetas da Campanha;                                                                                                    
13 - Turismo rural (“um dia na roça”, “a lida na roça”) em fazendas e sítios de Ouro Fino, com todos os participantes vestindo a camiseta da Campanha;                                                                                                                
14 – Realização de concurso de Redação sobre o Rio Jacaré;                  
15 – Celebração do Dia Internacional do Meio Ambiente e do Dia Mundial da Água, com atividades preferencialmente na cabeceira do Rio Jacaré;                                                                                                                                           
16 -  Passeio de estudantes da APAE acima da ponte do Espigão para molhar os pés em Águas do Rio Jacaré, todos vestindo camisetas da Campanha;                                                                                                                 
17 – Passeio de estudantes de escolas públicas e de escolas particulares;                                                                                                                             
18 – Realizar concurso anual para premiar os mais ecológicos quintais de Oliveira e de Morro do Ferro;                                                                                 
19 – Realizar concurso anual para premiar os melhores e mais bonitos jardins de Oliveira e de Morro do Ferro;                                                           
20 – Participar do Núcleo de Operação, Democratização e Transparência do GRAMDS;                                                                                                      
21 - (outras boas ideias no espírito da Campanha “Todos pelo Rio Jacaré”).
           
DETALHES OPERACIONAIS DA PRESENTE PROPOSTA

                        A área total da bacia do Córrego Lavrinha/Batalha é de 3.162 ha, abrangendo 75 nascentes e abrigando 66 habitantes, em 22 moradias.
                      Por sua vez, a bacia do Córrego Tatu tem 2.627 ha, abrangendo 50 nascentes e abrigando 175 habitantes, em 56 moradias.
                        Logo depois do encontro dos Córregos Lavrinha/Batalha e Tatu, nos primeiros quilômetros do Rio Jacaré até à rodovia BR-494, a bacia mede 579 ha, abrangendo 12 nascentes e abrigando 25 habitantes, em 22 moradias.

                        Assim, o total da área prevista nesta proposta mede 6.368 ha, abrangendo 137 nascentes e abrigando 266 habitantes, em 87 moradias.

                        A quase totalidade de produtores destas bacias, no distrito de Morro do Ferro, Município de Oliveira, tem como principal atividade econômica a pecuária leiteira.

                        Outra atividade econômica tradicional na região é o cultivo de mandioca para a produção de polvilho, biscoitos e derivados. Café, cana de açúcar e pecuária de corte são atividades secundárias. Uma expressiva fonte de renda dos moradores locais é a prestação de serviços, na maioria das vezes como diaristas ou em empreitadas ou em adjutórios a vizinhos.
                        Por isso, merece e exige maior atenção desta proposta a formação e recuperação de pastagens, por conciliar o interesse e a necessidade dos produtores em melhorar a nutrição de seus rebanhos com o interesse e a necessidade de melhorar a gestão ecológica na região, criando condições de absorção de Águas de chuvas aos lençóis freáticos e aquíferos por meio de descompactação dos solos, adequação de estradas vicinais e construção de barraginhas e demais procedimentos adequados a cada propriedade no ideal de que as Águas de chuvas sejam aproveitadas ao máximo na infiltração aos lençóis freáticos, ao invés de se transformarem em enxurradas.

                        Na prática, o conceito básico de administração operacional desta proposta é criar um “banco de recursos”, um conjunto de possibilidades de equipamentos, sementes, calcário e gesso, fertilizantes, horas de máquinas e outras condições aos produtores que melhor se posicionarem como candidatos merecedores de apoio.

                        Para definir qual produtor terá prioridade de atendimento aos inicialmente insuficientes recursos de apoio, todos os proprietários de terras nas bacias dos córregos Lavrinha/Batalha e Tatu que sejam membros da Associação dos Agricultores Familiares da Comunidade de Ouro Fino e Região e interessados nos benefícios do Projeto estão cadastrados e serão avaliados pelo enquadramento nos seguintes critérios:

                        - ter uma nascente em sua propriedade;
                        - ter influência direta na recarga e preservação de alguma nascente mesmo em propriedade vizinha;
                        - já estar utilizando técnicas de plantio direto, fazendo uso de subsolador/escarificador e não mais usando arado;
                        - aceitar orientação da Emater sobre técnicas adequadas nos procedimentos de análise de solos;
                        - aceitar orientação da Emater sobre quantidade e qualidade de sementes, calcário e gesso, fertilizantes e sobre épocas e procedimentos adequados na preparação do solo, plantio e tratos culturais;
                        - assumir o compromisso de manejo adequado dos solos e das pastagens, evitando compactações, enxurradas e erosões;
                        - estar em dia com o CAR e com as leis ambientais;
                        - residir na propriedade;
                        - depender financeiramente do que produz na propriedade;
                        - preferencialmente ser associado da Associação dos Agricultores Familiares da Comunidade de Ouro Fino e Região;

                        Todos os passos e avanços no processo de cadastramento e aplicação destes critérios podem ser operados por uma comissão integrada por membros do Codema, da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público, do GRAMDS, da Associação dos Agricultores de Ouro Fino e outras instituições que esta comissão decidir incluir como convenientes à execução da proposta.          
                                              
                        Pela experiência da Emater e do GRAMDS na Unidade Demonstrativa, o custo de um hectare de formação de pastagem no sistema de integração lavoura e pecuária, nesta Região, plantando-se milho e braquiária, é de mais ou menos R$ 2.500,00, com preços de junho a outubro de 2016. 
                                  
                        Para efeito de projeção orçamentária desta proposta, os preços médios a serem considerados, com base em levantamentos de junho/agosto de 2017, são os seguintes:
            -  Preço de um trator traçado tipo MF 4275/4C – R$109.000,00                   - Preço de um trator LS Plus 90 – R$ 106.000,0                                        - Preço da hora de trator tipo MF4275/4C–R$100,00 a R$170,00                  -Preço da hora de pá carregadeira – R$100,00 a R$400,00                                                       - Preço de subsolador Baldan/3 hastes/desarme – R$22.500,00
            - Preço de subsolador Jan/3 hastes/disco/rolo -R$14.800,00                       - Preço da hora de subsolador/escarificador–R$100,00 a 170,00
            - Preço de calcário (saco de 50k) – R$ 10,00
            - Preço da tonelada de calcário a granel - R$ 80,00 a 108,00
            - Preço de gesso agrícola (saco de 50k) – R$ 10,00
            - Preço da tonelada de gesso agrícola a granel–R$95,00 a 175,00
             - Preço de semente da braquiária (10 kg) – R$ 150,00
             - Preço de semente de milho (20 kg) – R$180,00 a 480,00
            - Preço de defensivos dessecadores (galão 5l) R$ 95,00
            - Preço de fertilizantes para plantio (50 kg) – R$45,00 a 78,00
            - Preço de fertilizantes de cobertura (50 kg) – R$45,00 a 66,0
            -Preço de uma barraginha de 12mx12mx1,80m – R$ 400,00
            - Preço de 01km de curva de nível – R$ 1.300,00
            - Preço de um ha de formação de pastagem – R$ 2.500,00


METOLOGIA PARA CAPTAÇÃO E ALOCAÇÃO DE RECURSOS

                        É praticamente inviável conseguir, de uma só vez, a totalidade de recursos financeiros suficientes ao trabalho de melhor aproveitamento de Águas de chuvas em todas as propriedades das bacias dos córregos Lavrinha/Batalha e Tatu. Ao mesmo tempo, os avanços dependem também da adesão espontânea de cada produtor e cada um dos interessados quererá descompactar e adequar apenas parte de suas terras, de cada vez, por necessitar da outra parte para manter sua rotina de rotação de pastagens.

                        Assim, convém que esta proposta tenha uma adequada flexibilidade na metodologia de alocação de recursos financeiros, de tal forma que se conjugue, se sintonize e se conecte a disponibilidade dos recursos com a execução dos serviços.

                        Concretamente, esta proposta deverá gerar dezenas de projetos e subprojetos, tantos quantos forem os proprietários interessados, cada um com suas próprias demandas: uns demandando apenas subsolagens, outros necessitando de subsolagens, terraceamentos e barraginhas e mais outros querendo estes serviços e também plantio direto no sistema ILPF (integração lavoura, pecuária e floresta). Todos que aderirem serão cadastrados e classificados por ordem de prioridade, considerando-se sua posição na pontuação de critérios seletivos (nascentes, abertura a avanços tecnológicos, situação socioeconômica, etc.) expressos na página 09 deste texto.

                        Na outra vertente, a da oferta, cada dinheiro conseguido deverá ser destinado a serviços na propriedade que estiver melhor colocada, no topo da tabela de pontuação de critérios, sempre sob supervisão de uma comissão integrada por membros do GRAMDS,  da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público em Oliveira, da Emater, da Associação dos Agricultores de Ouro Fino, do SAAE, do Codema, da Polícia Ambiental, do IEF, da Gazeta de Minas, de empresas apoiadoras e outros interessados neste Projeto.

                        Quando necessário, os serviços em uma propriedade ou em um conjunto de propriedades poderão gerar um projeto específico para algum órgão público, para instituições patrocinadoras, para empresas privadas ou para uma emenda parlamentar. A mesma situação pode ocorrer em casos de serviços e aquisições gerais, como intervenções em estradas vicinais ou compras de equipamentos. Nestes casos de projetos específicos, o proponente pode ser o GRAMDS ou Codema/Prefeitura Municipal ou Associação dos Agricultores de Ouro Fino, conforme facilidades e possibilidades em cada situação.

Concluindo o texto da presente proposta, são os seguintes os próximos passos para iniciar sua viabilização:
1     - Aprovação da presente proposta, com ou sem corte e acréscimos, pelo GRAMDS, pela EMATER, pelo Secretário Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, pela Associação dos Agricultores Rurais do Ouro Fino e pela Promotoria do Meio Ambiente;
2     -Validação, com alterações ou sem alterações, dos critérios de classificação dos proprietários rurais interessados;
3     -Inscrições dos produtores interessados;
4     -Elaboração de projetos em áreas de produtores mais bem classificados nos critérios de priorização, começando pelo georreferenciamento da(s) área(s) priorizada(s).
5     -Captação e disponibilização de recursos;
6     -Execução do(s) projeto(s)                                         

OBSERVAÇÕES QUE ATUALIZAM ESTE TEXTO:
Os itens 1-, 2-, 3-, 4- e 5- do parágrafo acima já foram cumpridos e o 6- está em fase desenvolvimento na propriedade de João Batista Sobrinho (João do Zico), priorizado entre os interessados da Associação dos Agricultores Familiares da Comunidade de Ouro Fino e Região, em reunião específica para escolha de três primeiros selecionados.

Técnicos da EMATER orçaram em R$ 10.644,00 o custo deste primeiro Projeto, para construir 10 barraginhas de 12 metros de circunferência, cada uma, e mais 06 terraços em curvas de nível com extensão total de 815 metros. Estes serviços serão completados por subsolagens e plantio de sementes de capim braquiária entre as curvas de nível, envolvendo a recuperação de pastagens em quase 02 hectares.

Orçamento do projeto na propriedade do João Batista Sobrinho (João do Zico), com preços levantados em julho e agosto de 2017:
Produto
Horas
Preço/ hora R$
Custo R$
10 Barraginha
30
100,00
3.000,00
815 metros Terraço
5
130,00
    650,00
Hora de trator/ pastagem.
10
100,00
1.000,00
Total


4.650,00

Insumo
Unidade
Preço R$
Custo R$
Calcário
7 toneladas
100,00
700,00
Gesso
5 Toneladas
170,00
 850,00
Sementes
3 sacos de 12 Kg
148,00
 444,00
Adubo Plantio
20 sacos   8-28-16
69,00
1380,00
Adubo cobertura
20 sacos   30-00-20
71,00
1420,00
Arame
1200
1,00
1200,00
Total


5.994,00





Total do projeto


10.644,00

              Os recursos para cumprimento deste orçamento foram articulados pela Procuradora do Meio Ambiente do Ministério Público em Oliveira, Viviane Andrade Campos, e pelo analista técnico Giovanni Ananias Camilo do Valle, em efetivo apoio ao GRAMDS, junto a empresários que estão participando por espontânea responsabilidade social ou por atendimento a termos de ajustes de condutas.

              Neste contexto, para aplicação na propriedade de João Batista Sobrinho, tributária de Águas ao Córrego Tatu (um dos formadores do Rio Jacaré), a ONG recebeu R$ 8.369,05, em cheques dos seguintes doadores: Henry D. Dias Oliveira (R$1.250,00), Ananias Torres Gonzaga (R$1.250,00), Vilmar Tadeu Leôncio, Tadeu José da Silva e Flávio Mariano Ribeiro (R$2.369,05), Dragagem Irineu (R$ 1.250,00), Areal Matinha (1.250,00) e Mátria Tratores e Implementos Agrícolas (R$ 1.000,00 em cheque e mais um subsolador no valor de R$ 15.800,00). O CODEMA também está doando 30 sacos de adubos para formação de pastagens.

              Os custos para construção de barraginhas e terraços/curvas de nível serão cobertos pelo SAAE de Oliveira, em forma de 30 horas de máquinas, por iniciativa e parceria do Diretor Geral Francisco Abreu Assis e da Diretora Adjunta Samira Marra.

              As 10 barraginhas e as 06 curvas de nível (815 metros) deste projeto pioneiro já foram demarcadas pela Emater e as demais providências estão sendo tomadas para execução de todos os serviços ainda em novembro deste ano de 2017, dependendo de chuvas e da umidade do solo na propriedade.   

Orçamento do projeto da propriedade do João Basta Sobrinho, comunidade do Ouro Fino.
Produto Horas  Preço/ hora R$ Custo R$
10 Barraginha 30 100,00 3.000,00
815 metros Terraço 5 130,00     650,00
Hora de trator/
pastagem.
10 100,00 1.000,00
Total 4.650,00
Insumo Unidade Preço R$ Custo R$
Calcário 7 toneladas 100,00 700,00
Gesso 5 Toneladas 170,00  850,00
Sementes 3 sacos de 12 Kg 148,00  444,00
Adubo Plano 20 sacos   8-28-16 69,00 1380,00
Adubo cobertura 20 sacos   30-00-20 71,00 1420,00
Arame 1200 1,00 1200,00
Total 5.994,00
Total do projeto
       Vista aérea da propriedade de João Batista Sobrinho (João do Zico), com limites em traço amarelo e curvas de nível em traços vermelhos.


Abaixo e à direita na imagem de satélite, vê-se o já assoreado Córrego Tatu, mesmo estando ainda bem próximo de sua primeira nascente.

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